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Ele há dias...

... em que me apetece dizer disparates e escrever o que me vem à cabeça, sem me preocupar em ser politicamente correcta. Este espaço vai servir para isso (pelo menos não gasto papel!).

Ele há dias...

... em que me apetece dizer disparates e escrever o que me vem à cabeça, sem me preocupar em ser politicamente correcta. Este espaço vai servir para isso (pelo menos não gasto papel!).

29
Dez25

Vida com Lloyd

Mäyjo

 

“Lloyd, o que aconteceu com o Natal?”
“Acredito que esteja algures, no meio das coisas a fazer, senhor.”
“Talvez eu devesse tirar algumas obrigações, assim poderia encontrá-lo novamente.”
“Ou talvez devesse deixar de mantê-lo entre os compromissos e colocá-lo onde não possa mais perdê-lo, senhor.”
“E qual seria esse lugar seguro, Lloyd?”
“Perto daquilo que lhe é mais precioso, senhor.”
“A vida, Lloyd?”
“Quem a torna melhor, senhor."

* * Simone Tempia * *

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24
Out25

Estória de uma vida

Mäyjo

Hoje percebo que, ao escolher o meu parceiro de vida, talvez não tenha sido por amor, mas pela necessidade de preencher um vazio — o desejo profundo de me sentir amada e cuidada. No início, ele correspondia a essa carência, e foi isso que me levou a escolhê-lo. Mas com o tempo, esta visão “turva” da realidade dissipou-se...

Hoje pergunto-me: O que fiz de errado?

Acho que sou uma pessoa que sempre procurou cuidar dos outros, mas acabei por me esquecer de mim no meio de tudo isso. Porém, esperava que os outros reconhecessem essa entrega e que retribuíssem… que simplesmente “tomassem conta de mim” e me dessem colo.

Olhando para trás vejo que toda a minha vida sempre andei à procura de alguém que olhasse para mim e por mim, que me desse carinho, que me desse colo.

Não tive filhos para suprir essa falta, mas tu acabaste por desempenhar esse papel; deste-me a oportunidade de cuidar de ti e em troca a atenção que eu tanto queria. E de repente, sem que nada se fizesse anunciar, tudo isso acabou do dia para a noite e eu voltei a sentir-me desamparada.

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Ilustração de Flávio Wetten@Lifeonadraw

17
Set25

Travessia

Mäyjo

A escritora e poetisa brasileira, Ana Jácomo, ao referir-se à passagem por este mundo, escreveu:

 "Que a minha passagem por este mundo seja pacífica como o voo sereno de um pássaro livre.

Que a minha existência acolha as outras existências com respeito.

Que, mais do que acreditar na bondade, eu possa praticá-la.

Que, de algum modo, eu contribua com a rede de amor que envolve o planeta.

Que a ternura seja uma prece que eu repita todo dia, por maior que seja o meu cansaço.

E, quando chegar a hora de me despedir, que eu possa olhar para trás com o meu sorriso mais grato."

Não posso estar mais de acordo!

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12
Out24

Cada dia

Mäyjo

“A única alegria neste mundo é a de começar. É belo viver, porque viver é começar, sempre, a cada instante.” 

Cesare Pavese

Todos os dias são especiais, pois cada um tem o potencial de gerar milagres e criar recomeços.

Devemos iniciar cada dia a saudar o sol!

Assim que acordamos e colocamos um pé num chão, devemos de agradecer por termos saúde e por nos ter sido concedido o direito a esse novo dia repleto de novas oportunidades.

Namastê!

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23
Ago24

A vida é feita de ciclos...

Mäyjo

A vida é feita de ciclos e a própria natureza encarrega-se de nos lembrar disso mesmo, vezes sem conta!

Só é realmente nosso aquilo que vivemos, pelo que o melhor que temos a fazer é aproveitar a viagem e desfrutar da paisagem, pois o bilhete que “comprámos” é só de ida.

Quando fechar os olhos, não quero flores, nem lágrimas ou lamentos…

Quando a porção de dias que me foi concedida terminarem, não quero que pensem em como podia ter sido. Em como podiam ter sido as viagens que não fizemos, o conforto que trariam os abraços que não demos, os risos que não partilhámos…

Quando as minhas mãos sossegarem não quero que fiquem a sensação de que tudo terminou… que tudo acabou. Não!

Quando as minhas palavras se silenciarem num peito que parou de bater, quero que pensem no nosso amor. Na alegria que foi termos partilhado momentos e experiências… a magia que foi termos percorrido caminhos juntos. O conforto que brotou de cada uma das palavras partilhadas.

No dia em que eu partir, em direção ao infinito, quero que me sorriam! Quero que me abracem com um coração sincero! Quero que continuem a amar-me sem razões, ou explicações. Quero que me guardem no coração e nas palavras. Em cada pedaço de vós!

Eu… vou levar-vos sempre para onde eu for!

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24
Jul24

Sejamos gratos...

Mäyjo

Sejamos gratos...

Que tenhamos consciência do privilégio que é estarmos aqui. Mesmo que a vida não seja da forma que queríamos vai haver sempre algo para agradecer.

Que sejamos gratos, pelas nossas conquistas, mas também pelas aprendizagens que as derrotas nos proporcionam.

Que sejamos gratos pelo que temos, mesmo tendo o desejo de ter algo diferente. Que saibamos valorizar a nossa saúde, sem que seja necessário perdê-la para isso.

Que tenhamos orgulho de sermos quem somos, mesmo nos nossos piores dias. Que consigamos compreender a sorte que temos em ter alguém que nos ame e nos apoie, pois, o nosso maior bem são as pessoas que estão ao nosso lado.

É o amor que damos e recebemos que dá sentido à nossa história.

Existir é uma bênção e uma missão também.

Que saibamos aproveitar (e agradecer) cada segundo da nossa vida.

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16
Jun24

A arte de ser feliz

Mäyjo

Considero-me uma aprendiza da arte mais difícil de aprender na vida: a arte de ser feliz, mas algumas figuras do passado, como Horácio (o poeta romano), têm dado um contributo valioso para essa aprendizagem.

Ao longo da minha vida deparei-me com coisas difíceis de aprender, mas nenhuma se revelou ser mais difícil do que ser feliz. Os escritos de Horácio têm-me ajudado a perceber as armadilhas em que tive sempre propensão para cair.

A primeira de todas (e que condiciona a felicidade de tantas pessoas) é compararmo-nos com os outros e com a vida afortunada que lhes conferimos. Sim, porque afinal que garantias temos de que os outros sejam tão felizes como imaginamos?

Seja em que situação for, temos sempre tendência para achar que os outros são sempre mais privilegiados. Muitas vezes me perguntei o que fiz de errado para não ter conseguido determinadas coisas… e, nesses exames de consciência masoquistas, consegui identificar os erros todos no meu passado que levaram a “esses fracassos da minha parte”. Porém, a própria premissa desse procedimento está errada, pois de acordo com Horácio: «A verdade é que cada um deve medir-se pela sua própria medida» (Epístolas 1.7.98).

Porque não são as “conquistas” que determinam a felicidade, pois «Aqueles que atravessam as ondas mudam de clima - não de disposição» (Epístolas 1.11.27). Hoje tenho a certeza de ser tão feliz com o que alcancei como teria sido se tivesse seguido um rumo diferente. Sem prejuízo do valor que atribuo ao que alcancei, sei que não é o contexto em que desenvolvo o meu dia a dia que determina a minha felicidade, mas o modo como vivo interiormente esse dia a dia. O facto de sentir uma paixão cada vez maior pela vida e por viver plenamente tudo o que me é permitido, é em si mesmo, um privilégio. Consumirmo-nos com coisas em que não acreditamos é que se presume, de facto, esgotante. «Maça-nos a canseira de não fazermos nada de jeito» (Epístolas 1.11.28).

Quando era mais nova, não ter uma casa luxuosa ou um carro topo de gama era mais um item que eu adicionava à lista das minhas insatisfações. Hoje alcanço o quanto Horácio tem razão: «Com barcos e carros procuramos sentirmo-nos bem. Mas o que procuras está aqui» (Epístolas 1.11.28-29).

«Àquele, a quem agrada a sorte de outrem, a própria sorte desagrada. Cada um está a ser estúpido; e responsabiliza, sem razão, o lugar onde está. A mente é que tem culpa – ela que nunca pode fugir de si mesma» (Epístolas 1.14.11-13).

Obviamente esta filosofia só faz sentido na vida daqueles que não estão sujeitos a contextos penosos. Já mais ajudará quem está a viver no meio de uma guerra, não ajuda quem tem condições de trabalho comparáveis à escravatura, nem quem está sequestrado num relacionamento tóxico. Nestas circunstâncias não faz sentido dizer «O que procuras está aqui».

Horácio viveu também a experiência da guerra, da pobreza e das dificuldades pessoais, pois era filho de um ex-escravo. O facto de mais tarde ter convivido com pessoas do topo da sociedade romana não apagou certamente as feridas psicológicas que ele carregava. Mas há uma grande verdade nesta sua frase: «Não é aos ricos somente que cabem as alegrias» (Epístolas 1.17.9). A valorização do momento presente é o facto que mais felicidade pode proporcionar: «O que está presente, lembra-te de organizar, sereno; as restantes coisas ao modo de um rio são levadas» (Odes 3.29.32-34).

Olhar para a frente (seja com receio ou entusiasmo) não traz qualquer vantagem: «Prudente, o desfecho do tempo futuro em noite obscura o deus esconde» (Odes 3.29.29-30).

E para terminar, duas citações para pensar uma vida inteira:

«Aquele dono de si e feliz viverá, a quem for lícito no fim do dia ter dito: "Vivi. Amanhã, que com negra nuvem o Pai cubra o céu ou com sol puro. Porém, anulado não fará o que está para trás; nem alterará ou trará de volta, anulado, o que, uma vez, a hora fugidia trouxe".» (Odes 3.29.41-48)

«Que eu tenha o que tenho agora ou até menos; e que eu viva para mim o que resta da minha vida, se os deuses quiserem que algo reste. Que eu tenha boa quantidade de livros e de comida guardada para um ano; e que eu não vacile ao sabor da esperança de cada momento duvidoso. É suficiente orar que Júpiter (ele que põe e tira) me dê vida, me dê meios; eu darei a mim mesmo uma mente serena.» (Epístolas 1.18.107-112)

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