Deixe que o tempo passe...
“Deixe que o tempo passe e já veremos o que ele traz.”
Gabriel Garcia Marquez

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“Deixe que o tempo passe e já veremos o que ele traz.”
Gabriel Garcia Marquez

Há quem diga que o tempo cura tudo, mas não é verdade. O tempo não tem o poder de curar, ele apenas nos distancia dos acontecimentos que nos marcaram, mas não apaga as marcas que eles tatuaram na nossa alma. A ferida tranforma-se em cicatriz apenas quando se deixa de ser prisioneiro de um passado que não podemos mudar. É nesta altura que entra o perdão; não como uma dádiva para quem nos magoou, mas sim como um ato de libertação para nós própios. O perdão surge quando decidimos que essa dor, raiva, rancor, não nos vai definir mais, pois enquanto carregarmos a mágoa, o ressentimento continua a prender-nos àquela situação, àquela pessoa, àquela dor.
Perdoar é claro que não é esquecer o que aconteceu: é olhar para o que aconteceu com um nível mais elevado, é perceber que seguir em frente é mais importante do que ter razão, que a nossa cura é mais urgente do que a espera por um arrependimento que talvez nunca venha. O perdoar é escolher não deixar o outro continuar a magoar-nos através da lembrança. O perdão é feito através de uma reconstrução interior. O perdão nasce quando permitimos que a dor nos transforme, mas já não nos fira.

O tempo divide-se em três momentos: ontem, hoje e amanhã.
Ontem é passado - esquece-o.
Hoje é presente - aproveita-o.
Amanhã é futuro - prepara-te para ele.

Ilustração de Flávio Wetten@Lifeonadraw
Não...
Não tenha pressa, mas não perca tempo...

Onde está tudo aquilo que passámos o tempo a desejar?
O que foi feito dos dias que tanto esperávamos…?
O que foi feito das noites que passavam devagar…?
O que foi feito daquilo que queríamos que passasse depressa…?
O que foi feito da pressa que afinal nos conduziu a lugar nenhum…?
O que foi feito daqueles caminhos que receámos percorrer…?
O que foi feito dos passos que afinal não demos…?
O que foi feito dos sonhos que fomos adiando…?
O que foi feito do tempo que ainda tínhamos…?
Para onde foi o que não sabíamos que acabaria por ir…?
Para onde foram todos os anos que pensávamos que ainda vinham longe…?
Para onde foi afinal tudo o que não chegou a vir…?
Para onde foi o tempo que passou sem avisar quando achávamos que conseguíamos dar conta de tudo aquilo que não “podemos agarrar”?
Para onde foi?

É tempo de desmanchar o que o tempo fez.

Desde que cheguei de férias que o tempo parece manteiga nas minhas mãos.
O perfecionismo com que rejo a minha vida nem sempre é um atributo muito positivo.
Gosto de fazer as coisas o melhor que consigo, dar o mais que consigo e viver ao máximo. E nem sempre é fácil. Por vezes acabamos por ser um bocadinho escravos da nossa personalidade e metas.

O passado e o futuro servem para viver o presente: um para caminhar com segurança e o outro para aproveitar melhor cada momento.

Há um poema, Seiscentos e Sessenta e Seis, de Mário Quintana, autor brasileiro, que diz:
« A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...
Quando se vê, já é 6ª-feira ...
Quando se vê, passaram 60 anos!
Agora, é tarde demais para ser reprovado ...
E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio
seguia sempre em frente ...
E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas. »

O tempo, que é um dos nossos bens mais valiosos e que tantas vezes descuramos com coisas inúteis, aquilo que vulgarmente chamamos de perda de tempo.
Perante a passagem do tempo, só nos resta seguir em frente. Apreciar o que a vida tem para nos dar. E entre as coisas boas que a vida nos permite está o tempo que passamos com os outros, o tempo que passamos a falar, a conversar, a construir memórias...

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