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Ele há dias...

... em que me apetece dizer disparates e escrever o que me vem à cabeça, sem me preocupar em ser politicamente correcta. Este espaço vai servir para isso (pelo menos não gasto papel!).

Ele há dias...

... em que me apetece dizer disparates e escrever o que me vem à cabeça, sem me preocupar em ser politicamente correcta. Este espaço vai servir para isso (pelo menos não gasto papel!).

10
Ago09

Objetivo 8: Estabelecer uma Parceria Mundial para o Desenvolvimento

Mäyjo

 

São Paulo, Brasil
A história de Uridéia é uma história de busca. Busca pelo amor do pai e da mãe. Busca de uma identidade, reconhecimento e sobrevivência e, como meio para conseguir tudo isso, busca de um ofício e de um trabalho.
Uridéia tem 19 anos. Foi criada pela avó em Natal, no Nordeste, longe de seu pai e de sua mãe.
Quando Uridéia tinha dois anos, sua mãe foi embora para São Paulo para trabalhar como empregada doméstica, a quem viu muito pouco. No entanto, todos os dias, a distância, ela via o homem que diziam ser seu pai. Esse era dono de um restaurante que ficava bem em frente à escola de Uridéia. Com freqüência, ela o via abraçando o filho.
Quando completou quinze anos, Uridéia criou coragem para entrar no restaurante. Até hoje, ela se lembra da conversa:
“Eu gostaria de falar com o senhor. Seria possível?”
“Você veio pedir dinheiro?”
“Vim para pedir para que o senhor me reconheça como sua filha.”
Ele se levantou e esbravejou para que todos ouvissem:
“Você não é minha filha. Eu só tenho um filho.”
Uridéia saiu do restaurante, em prantos.
“Não tenho mãe nem pai.”
A três mil quilômetros do restaurante do pai, Uridéia tem vivido os últimos três anos na casa da mãe numa favela de São Paulo; três anos difíceis. Ela veio em busca de “amor materno”, mas, em lugar disso, descobriu que ela e Elsa se haviam convertido em estranhas depois de onze anos sem se encontrarem.
“A senhora nunca me deu amor de mãe.”
“Amor não enche barriga”, responde a mãe, com raiva crescente.
Às vezes, a raiva leva à violência.
Apesar de ter concluído o ensino médio, o único trabalho que ela conseguiu achar foi como babá na favela. O que ganhava era muito pouco para poder ajudar a mãe. E Uridéia passou a fazer parte dos incontáveis milhões de jovens desempregados no Brasil.
Como sabia que era inteligente, prestou vestibular para fazer o curso de administração de empresas numa cara universidade particular. Colocou-se em terceiro lugar. Sem maiores explicações, foi informada de que não havia sido admitida. O motivo, pensou ela, teria sido o fato de ter colocado na ficha de inscrição o seu endereço na favela Jaguaré.
Um dia, viu uns cartazes na favela, anunciando um curso de culinária.
Ela fez o curso Cozinheiro Cidadão, de três meses, oferecido por uma OnG localizada na própria favela. Ali, aprendeu as noções básicas de culinária profissional e, acima de tudo, aprendeu a trabalhar em equipe com seus colegas, todos moradores da mesma favela.
A culinária serve de metáfora para uma vida profissional ideal. Ela propicia uma liderança bem definida, uma hierarquia clara e funções específicas. Os participantes recebem uma remuneração adequada (são bolsistas) e as suas habilidades são reconhecidas.
Hoje, Uridéia sabe planejar uma refeição, ir à feira bem cedinho e selecionar os produtos mais frescos. Sabe limpá-los, picá-los com agilidade, combinar sabores e aromas e preparar e servir uma refeição com estilo.
Para Uridéia, o trabalho é tudo. É o meio de escapar da pobreza e moldar seu destino. E é sua identidade: 
“Pensava que ia apenas aprender a fazer feijoada, mas o que achei foi uma saída.”
Seu sonho é ter seu próprio restaurante, onde poderá dar emprego a outras pessoas na favela. Outro sonho: está firmemente decidida a tornar-se exímia numa atividade que seu pai será capaz de apreciar. De modo que, um dia, poderá entrar no restaurante apinhado do pai e fazê-lo ciente de tudo que ela conseguiu realizar.
E lhe perguntaria novamente:
“Eu gostaria de falar com o senhor. Seria possível?”
 
http://www.unfpa.org.br/conquistandosonhos/urideia/fotosurideia.htm
10
Ago09

ODM 8 - Estabelecer uma Parceria Mundial para o Desenvolvimento - Uridéia, 19 anos

Mäyjo

 

Uridéia é uma brasileira de 19 anos em busca de um futuro melhor como chefe de cozinha. Como milhões de outros jovens, ela não conseguiu achar emprego depois de concluir seus estudos. O Instituto Lina Galvani (“Cozinheiro Cidadão”) está ajudando Uridéia e outros jovens desempregados propiciando-lhes aulas de culinária na favela Jaguaré, em São Paulo. Este Instituto procura integrar jovens no mercado de trabalho. A Congregação Católica de Santa Cruz, a Fundação Artemísia e os restaurantes da cidade de São Paulo também apóiam este projeto.
09
Ago09

Objetivo 7: Garantir a sustentabilidade ambiental

Mäyjo

 

http://www.unfpa.org.br/conquistandosonhos/mohamed/fotosmohamed.htm

 

EL BORJ, MARROCOS
Meio-dia em El Borj. O vilarejo marroquino na cordilheira do Alto Atlas parece deserto. Todo mundo está dentro de casa, fugindo do sol escaldante de julho. As mulheres cozinham, enquanto os homens descansam, antes de voltar aos campos. Até as crianças estão caladas.
O único ruído vem de um cubículo próximo à mesquita, onde Mohamed e seus amigos se reúnem antes do almoço para conversar, tocar instrumentos feitos por eles mesmos e cantar, dando vazão àquilo que os preocupa: achar uma moça para casar e ir para o exterior à procura de trabalho.
                Lah visa, Lah Passeport  (Sem visto, sem passaporte)
Tuhasht habib tino, ah ya madame (Sinto sua falta, minha amiga. Sim, senhora).
Mohamed tem que olhar sua carteira de identidade para se certificar de que acaba mesmo de completar 18 anos. A passagem do tempo não tem muita importância para os 300 habitantes de El Borj e das outras 53 comunidades rurais no Círculo de Imilchil, o território do clã berbere Aït Haddidou. Para a maioria delas, a maior preocupação é a falta de água.
Embora esteja a apenas 460 quilômetros a sudeste da capital marroquina e suas trinta e três casas de adobe fiquem às margens de um pequeno rio, o vilarejo não tem eletricidade nem água corrente nem água potável.
No inverno, neva, e o rio transborda, despregando barro das margens. As mulheres recolhem a água barrenta em recipientes de plástico e esperam a sujeira assentar, para que a família possa beber água.
No verão, o rio seca e a pouca água que resta é usada também para irrigar os campos, lavar roupa e tomar banho.
“Gostaria que meu filho ficasse aqui em El Borj, vivendo perto de mim até eu morrer. Mas a vida aqui não lhe oferece muita coisa e, quando ele for mais velho, terá de manter sua própria família”, diz Lacen, o pai de Mohamed. “Hoje, metade da vida de uma pessoa depende de água e de eletricidade, e nosso vilarejo não tem nem uma coisa nem outra.”
Mohamed já esteve em cidades grandes, mas não gosta daquela vida. Gosta de certas vantagens que elas oferecem, todas relacionadas com a eletricidade, como poder assistir a televisão e navegar na Internet.
Em Casablanca e Rabat, ele viu o mar. Mas jamais sonhou tentar alcançar a costa da Espanha, como muitos outros jovens emigrantes marroquinos que morrem afogados todos os anos.
Se El Borj tivesse água corrente, menos pessoas pensariam em sair de lá. O pai de Mohamed, por exemplo, possui 21 glebas e tem participação em outras 20, juntamente com outros moradores. Se não tivessem de gastar tanto tempo para ir ao rio para lavar roupa, tomar banho e tirar água para beber, os membros da família teriam tempo para fazer outras coisas.
Nas primeiras semanas de julho, os moradores começaram a trabalhar no projeto para abastecimento de água, financiado pela Associação Adrar. Cavaram um poço de vinte metros de profundidade e instalaram uma bomba movida por painéis solares, a qual bombeará a água para um reservatório próximo à casa de Mohamed.
A água seria boa até para casamentos.
“Se nosso vilarejo tivesse água, a vida seria mais confortável e mais mulheres viriam para cá”, observa Mohamed.
Agora, ele pode sonhar com outras coisas. Quer tirar a carteira de motorista para poder transportar produtos de El Borj para outros lugarejos. Eventualmente, ganhará dinheiro suficiente para se casar.
-- ”Insh’ Allah,” diz ele.
09
Ago09

ODM 7 - Garantir a sustentabilidade ambiental - Mohamed, 18 anos

Mäyjo

 

Mohamed vive num vilarejo marroquino sem água encanada, água potável ou eletricidade. Ele espera que um dia essas necessidades básicas sejam fornecidas em sua comunidade. O vilarejo de Mohamed deu início a um projeto sobre água, financiado pela Associação Adrar, uma ONG cujo objetivo é assegurar melhor qualidade de vida aos moradores das comunidades rurais na cordilheira do Alto Atlas. Esta OnG promove o desenvolvimento sustentável, avanço agrícola, ecoturismo, educação, igualdade de género e criação de sistemas de infra-estrutura básica para o fornecimento de água limpa, eletricidade e saneamento.
08
Ago09

Objetivo 6: Combater o HIV/aids, malária, e outras doenças

Mäyjo

 

KINGSTON, JAMAICA
Jason está no paraíso: seiscentas garotas no auditório gritando e acenando para ele. Gostaria que seus amigos o vissem ali, no palco do auditório de uma escola de meninas, rodeado dos músicos mais famosos da Jamaica. Eles tocam reggae e rap e são da sua idade. É possível que eles algum dia tenham sido pobres como ele. Os músicos lhe abraçam, sentindo-se orgulhosos por ele.
Jason vive com HIV e havia acabado de contar a sua história. Falou às meninas que elas precisavam assumir o controle de suas próprias vidas. Agora tudo treme; o som surdo do baixo reverbera no seu peito, como um som amplificado das batidas do coração.
Das coxias, Jason observa. Os cinco músicos da banda TOK cantam, tocam e dançam, e com eles cantam as seiscentas garotas.
*****
Os últimos dois anos foram os melhores e os piores da curta vida de Jason. Teve sua iniciação sexual ainda muito jovem – não se lembra se aos 11 ou aos 12 anos. Nas relações sexuais, não tomou precauções, porque não era coisa de macho, apesar de viver em Kingston, a cidade com os mais elevados índices de HIV/aids do país
Atualmente, sete mil jovens se infectam por dia com o HIV no mundo todo, em sua maioria mulheres.
Jason não era bom aluno, mas era bom de briga. Empunhando um facão, corria atrás de qualquer um que o desafiasse. Eram necessários vários adultos para segurá-lo. Era alto e forte e aparentava ter mais idade do que tinha. Vivia com pressa.
Um dia, um conhecido lhe ofereceu um revólver e um lugar numa gangue. Corria o risco de viver uma vida de violência, a serviço do crime organizado, como tantos outros em seu bairro pobre. Recusou a oferta, pois não queria morrer jovem como eles.
Aos 17 anos, teve de valer-se dessa mesma determinação e fortaleza para conviver com o HIV. O estigma social relacionado a essa doença era tão horrível no bairro, que uma mulher soropositiva trancou-se num quarto e pediu à mãe que dissesse que ela havia morrido. O próprio Jason costumava cobrir a cabeça quando tinha que sair de casa.
*****
Na escola de meninas, o mestiço de cabelo louro Red Rat canta em ritmo de rap. As meninas estão nas pontas dos pés e gritando. Ele canta:
“...porque aids é uma doença
que não tem cura
num importa se você é rico
num importa se você é pobre.”
A aids ainda não tem cura, mas para uma pessoa pobre como Jason, o preço da sobrevivência com HIV é muito alto. A entidade Jamaica Aids Support lhe fornece os medicamentos e a ajuda necessária para que ele possa sentir uma mudança profunda no seu estilo de vida. O garotinho com um corpo de homem agora é um jovem adulto que consegue se lembrar de tomar dez comprimidos diários em diferentes horários. O estudante que fugiu da escola para ir pescar no mar agora é um artesão que fabrica velas.
O brigão de temperamento explosivo diz:
“Agora, antes de entrar numa briga, eu penso primeiro se vou poder sair dela.”
O perigo ainda existe, mas agora ele se cuida.
O garoto que nada sabia a respeito da aids e tinha medo de que os outros descobrissem que ele era soropositivo, agora sobrevive dando exemplo e contando sua história em boates, escolas e concertos, como o de hoje na escola de meninas.
*****
Jason é chamado ao palco. É o final do concerto. Ele avança lentamente e fica parado detrás da segunda fileira de músicos. Delicia-se com a cena, no meio de todo o barulho. Coloca, então, a mão no ombro de Red Rat e fala:
“Estou melhorando, cara. Mesmo que seja devagar.”
http://www.unfpa.org.br/conquistandosonhos/jason/fotosjason.htm
08
Ago09

ODM 6 - Combater HIV/aids - Jason, 19 anos

Mäyjo

 

Jason é soropositivo por não ter praticado sexo seguro na adolescência. Ele conta a sua história em concertos, boates e escolas, a fim de conscientizar as pessoas sobre o HIV/aids. Jason recebe medicamentos e apoio emocional da organização chamada Jamaica Aids Support (JAS), que se dedicada a preservar a dignidade e os direitos de pessoas portadoras da enfermidade. A organização luta contra a disseminação da doença, educando e prestando serviços de prevenção. Procura também reforçar a autonomia dos pacientes e mudar as atitudes e comportamentos relativos à doença.
07
Ago09

Objetivo 5: Melhorar a saúde materna

Mäyjo

 

CAMPO DE REFUGIADOS KYANGWALI, HOIMA, UGANDA
Sobrecarregada, Margaret atravessa o milharal. Grávida de oito meses, leva na cabeça um garrafão de 25 litros de água.
Hoje, ela tem hora marcada com a parteira por causa de uma dor no baixo ventre, que a vem incomodando quase o tempo todo nos últimos oito meses.
Tem 16 anos e não está feliz por estar grávida. Não queria o bebê. Quando descobriram que estava grávida, os parentes pediram que ela saísse de casa.
“Leve essa criança para o seu dono”, disseram, referindo-se ao pai. Não tinham como dar de comer a mais uma boca.
Nem os pais nem os irmãos mais velhos estão mais com ela. Voltaram para o Sudão sem sequer se despedir. Ela teria sido um fardo fatal numa viagem perigosa pela selva.
Felizmente, os parentes de James a acolheram. James, seu companheiro de 16 anos, também é sudanês. Embora sua família seja igualmente pobre, é o homem que tem de cuidar da mulher e do filho que está por nascer.
Na véspera, o jovem casal foi dormir de estômago vazio. Não são muitos os dias em que têm duas refeições.
Margaret não está feliz, mas tem alguma sorte, já que o acampamento de refugiados dispõe de excelentes serviços de atendimento materno.
*****
Margaret entra em casa com o rosto banhado em suor, uma expressão dolorida no olhar. Mesmo assim, como uma dançarina, a coluna ereta e os pés plantados firmemente no chão, ela pega uma vassourinha e varre as folhas de mamão caídas em volta da cabana. Apesar da dor e do calor sufocante, ela não se apressa.
Serenamente, com um sorriso, ela entra na maternidade. Ao se deitar na maca, aumenta a dor. A parteira a examina e prevê que o parto ocorrerá sem problemas, embora Margaret seja muito jovem e pequena. Felizmente, não há motivo de preocupação. O bebê está na posição certa e a dor se deve a uma infecção urinária. Em países em desenvolvimento, o parto é a principal causa da morte de jovens como Margaret.
Será que a sorte dela vai durar? Ela é privilegiada por poder dar à luz com a ajuda de uma parteira experiente. Quarenta e dois por cento das mulheres em países em desenvolvimento não têm essa sorte. Mas o corpo de Margaret ainda é imaturo e suscetível aos riscos do parto.
Quando desce da maca, Margaret não está sorrindo. Está mais preocupada com o futuro do que com a gravidez. Ela quer estudar e trabalhar, mas não tem dinheiro para pagar a escola secundária. Quer ser enfermeira, mas sem instrução, jamais conseguirá trabalho.
 
 
http://www.unfpa.org.br/conquistandosonhos/margaret/fotosmargaret.htm
07
Ago09

ODM 5 - Melhorar a saúde materna - Margaret, 16 anos

Mäyjo

 

Margaret é uma refugiada sudanesa de 16 anos que está grávida de oito meses. Ela tem mais sorte do que muitas outras jovens em sua situação, pois tem acesso a serviços de saúde materna, e será assistida por uma parteira experiente durante seu parto. No Campo de Reassentamento de Refugiados em Hoima, Uganda, onde Margaret vive, estão disponíveis excelentes serviços de saúde materna. Em colaboração com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (UNHCR), o campo fornece assistência emergencial e acesso aos serviços de saúde.
06
Ago09

Objetivo 4: Redução da mortalidade infantil

Mäyjo

 

Phnom Penh, Camboja
Chorn segue na motocicleta entre seu pai e sua mãe. Está com catapora, o corpo todo coberto de bolhas, até mesmo na língua. Mesmo assim, entre milhares de motocicletas em meio do tráfico serpenteante, ele se diverte no percurso rumo a uma pagoda. Decerto, a brisa da noite lhe traz algum alívio.
Chorn tem dois anos e parece estar acostumado a ficar doente e a suportar a dor. Ele nasceu com menos de dois quilos e já sofreu inúmeros ataques de diarréia. Às vezes, tem febre, sem motivo aparente e está desnutrido.
Por duas vezes, os pais acharam que ele estava morrendo.
******
No dia anterior, Chorn e a mãe, Sinat, foram ao hospital público, onde ele foi diagnosticado e medicado. Sinat não teria como pagar uma clínica particular. Por causa da longa distância e da espera, ela perdeu um dia de trabalho – enclausurando-a a um círculo vicioso.
Embora a catapora não seja normalmente uma doença perigosa, pode acabar se tornando uma ameaça para uma criança que vive no Camboja, nascida na pobreza, abaixo do peso e com saúde precária. O Camboja registra uma das mais altas taxas de mortalidade infantil do sudeste asiático.
Sinat e o marido Chorn (o filho tem o mesmo nome do pai) desconhecem as estatísticas, mas sofrem como todos os cambojanos mais pobres. Não confiam no hospital público, preferindo a flexibilidade das numerosas clínicas particulares pequenas, embora, para ser atendido nelas, tenham de recorrer a agiotas. Ou, então, procuram a drogaria mais próxima, onde um atendente ouve uma descrição dos sintomas e, apesar de limitados conhecimentos, indica um remédio.
O menino mantém a mãe acordada quase a noite toda na palhoça em que vivem, próxima a um esgoto a céu aberto, de onde vem um cheiro nauseabundo. Ainda de madrugada, às 3h30, Sinat começa a cozinhar e a fazer preparativos, juntamente com outros membros de sua família e agregados. Às 5h, eles abrem um pequeno restaurante que atende a uma multidão de empregados de uma fábrica têxtil que fica ali perto.
No meio da manhã, ela está de volta ao restaurante, cozinhando para os empregados do turno da tarde. Apesar do remédio, o menino não dá sinais de melhora.
******
Uma vez mais na motocicleta, Chorn e os pais passam por uma fileira de casas, em cujos degraus jovens monges conversam. Chegam finalmente à pagoda, onde falam com um dos monges e dali seguem para o lado do edifício vermelho e dourado.
Chorn, no colo da mãe, tem as mãos postas em atitude de prece e um monge budista derrama água sobre eles. Ele demonstra a mesma concentração que a mãe e talvez a mesma sensação de frio, já que ambos ficam arrepiados.
O monge diz que mãe e filho nasceram em anos contrários: ela no ano do cão e ele no ano do bode. É por isso que ficam doentes com tanta freqüência e que quando um está com saúde o outro está doente. Os banhos, diz ele, lhes trarão felicidade, sorte no trabalho e proteção contra todas as doenças. Esse ritual terá de ser observado doze vezes, em doze dias consecutivos.
Mas Sinat tampouco parece depositar plena fé nisso. Ao voltar para casa, uma vizinha lhe diz que sabe de uma clínica onde Chorn poderia tomar uma injeção e ficar curado em dois dias. Sinat fica pensando se deveria tentar isso também – amanhã, quem sabe.
 
http://www.unfpa.org.br/conquistandosonhos/sinat/fotossinat.htm
06
Ago09

ODM 4 - Reduzir a mortalidade infantil - Sinat, 21 anos

Mäyjo

 

Sinat é a mãe de Chorn, um menino cambojano de dois anos que nasceu abaixo do peso e com saúde precária. A fim de assegurar um melhor tratamento para a saúde de seu filho e garantir sua sobrevivência, Sinat procura melhorar sua situação socioeconômica freqüentando aulas na “Associação de Jovens Khmer” (KYA), em Phnom Penh, Camboja. Esta organização dá apoio a jovens que desejam suscitar uma mudança social e também melhores condições para suas vidas. Os objetivos e programas da associação propiciam treinamento para que os jovens possam entrar no mercado de trabalho, ajudam as mulheres a adquirirem autonomia, combatem a violência e a guerra civil e promovem conscientização sobre saúde reprodutiva.

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