Decidi (quase sem opção disponível) silenciar alguns ruídos que insistiam em permanecer na minha vida. Sentia-me perdida… exausta, com um cansaço que não se cura com férias, nem com uma boa noite de sono e muito menos com jantares entre amigas.
Devia tido coragem mais cedo (pois ontem já era tarde...) e já ter tomado, há mais tempo, a decisão de ficar [não] disponível.
Tudo começou há cerca de dois anos quando houve uma grande mudança na minha vida. Entre vários acontecimentos, o cenário desenhado acabou por se instalar! E foi recentemente, numa pequena pausa escondida na rotina, que tudo fez sentido. Praia e água morna q.b. e "acesso limitado ao mundo" obrigaram o cérebro a parar e fazer reset - percebi o caminho por onde tinha seguido! A ausência de ruído, a mudança no ritmo e a sensação de cabeça vazia deram-me o alerta. Estava presa num remoinho mental, incapaz de silenciar os pensamentos, com um ruído constante a ecoar na mente.
Foi aí que decidi eliminar o SPAM da minha vida. Deixei tentar de saber o que se passa e reduzi ao mínimo o que permito que saiba(m). Ficou apenas o básico e o essencial. Nem mais nem menos!
De regresso à rotina, privilegiei o silêncio e o fazer sem ruídos. Desligar... e ler cada vez mais. Sem ruído de fundo, apenas na minha própria companhia. Permitir-me desfrutar do simples ato de não fazer nada — saborear o silêncio e a lentidão, sem aquela urgência frenética de manter a mente (pre)ocupada, como se o amanhã dependesse da força de empurrar tudo para acontecer.
Deito-me cedo e, na escuridão, tiro partido do silêncio. Aprecio o som ténue da minha respiração. Já não quero saber o que se passa lá fora.
Aprendi a filtrar as prioridades, as pessoas e os minutos a mais. Quando eu partir, o mundo continuará a girar — e nem sequer fará pausa no dia seguinte. Aquilo que eu julgava imprescindível... afinal, pode esperar mais um pouco. E o que não pode, já encontrou solução. Porque, no fim, amanhã será sempre um novo dia.
Preciso de silêncio. Já não quero ruídos, nem pressas disfarçadas de urgência.
Porque as verdadeiras aflições… essas, nem som fazem.
![reticências.png]()