Tenho vontade de ver-te...
"Tenho vontade de ver-te
Mas não sei como acertar.
Passeias onde não ando,
Andas sem eu te encontrar."
Fernando Pessoa

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"Tenho vontade de ver-te
Mas não sei como acertar.
Passeias onde não ando,
Andas sem eu te encontrar."
Fernando Pessoa

Há um poema, Seiscentos e Sessenta e Seis, de Mário Quintana, autor brasileiro, que diz:
« A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...
Quando se vê, já é 6ª-feira ...
Quando se vê, passaram 60 anos!
Agora, é tarde demais para ser reprovado ...
E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio
seguia sempre em frente ...
E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas. »

Não sei quem sou, que alma tenho.
Quando falo com sinceridade não sei com que
sinceridade falo.
Sou variamente outro do que um eu que não sei se
existe (se é esses outros)...
Sinto crenças que não tenho.
Enlevam-me ânsias que repudio.
A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente
me ponta traições de alma a um carácter que talvez eu não tenha,
nem ela julga que eu tenho.
Sinto-me múltiplo.
Sou como um quarto com inúmeros espelhos
fantásticos que torcem para reflexões falsas
uma única anterior realidade que não está em
nenhuma e está em todas.
Como o panteísta se sente árvore (?) e até a
flor, eu sinto-me vários seres.
Sinto-me viver vidas alheias, em mim,
incompletamente,
como se o meu ser participasse de todos os
homens, incompletamente de cada (?),
por uma suma de não-eus sintetizados num eu
postiço."
Fernando Pessoa
Porque é uma das melhores coisas que a vida nos pode proporcionar: ser mãe.
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