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Ele há dias...

... em que me apetece dizer disparates e escrever o que me vem à cabeça, sem me preocupar em ser politicamente correcta. Este espaço vai servir para isso (pelo menos não gasto papel!).

Ele há dias...

... em que me apetece dizer disparates e escrever o que me vem à cabeça, sem me preocupar em ser politicamente correcta. Este espaço vai servir para isso (pelo menos não gasto papel!).

22
Out25

Há quem diga que o tempo cura tudo...

Mäyjo

Há quem diga que o tempo cura tudo, mas não é verdade. O tempo não tem o poder de curar, ele apenas nos distancia dos acontecimentos que nos marcaram, mas não apaga as marcas que eles tatuaram na nossa alma. A ferida tranforma-se em cicatriz apenas quando se deixa de ser prisioneiro de um passado que não podemos mudar. É nesta altura que entra o perdão; não como uma dádiva para quem nos magoou, mas sim como um ato de libertação para nós própios. O perdão surge quando decidimos que essa dor, raiva, rancor, não nos vai definir mais, pois enquanto carregarmos a mágoa, o ressentimento continua a prender-nos àquela situação, àquela pessoa, àquela dor.

Perdoar é claro que não é esquecer o que aconteceu: é olhar para o que aconteceu com um nível mais elevado, é perceber que seguir em frente é mais importante do que ter razão, que a nossa cura é mais urgente do que a espera por um arrependimento que talvez nunca venha. O perdoar é escolher não deixar o outro continuar a magoar-nos através da lembrança. O perdão é feito através de uma reconstrução interior. O perdão nasce quando permitimos que a dor nos transforme, mas já não nos fira.

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02
Out25

Perdão

Mäyjo

 

Há quem diga que o tempo cura tudo. Mas não — o tempo não cura nada, pois não tem poder de cura. Ele apenas coloca distância entre os acontecimentos e o momento presente, mas não apaga as cicatrizes que eles deixaram. A dor transforma-se em aprendizagem e a ferida em cicatriz apenas através do perdão. E o perdão acontece quando escolhemos deixar de estar encarcerados num passado que já não é possível mudar.

O perdão não é uma oferenda para quem nos feriu, mas sim um ato de libertação para nós mesmos. Enquanto carregamos a mágoa, o rancor mantém-nos presos à situação, à pessoa, à dor. Sempre que alimentamos o ressentimento, revivemos a afronta — e isso volta a magoar-nos. O perdão acontece quando assumimos que a dor, a raiva e o rancor já não nos definem.

Perdoar não é esquecer o que aconteceu; é olhar para o passado de outra forma, compreendendo que seguir em frente é mais importante do que ter razão. É perceber que a nossa cura é mais valiosa do que cobrar arrependimento de quem, talvez, nunca o venha a oferecer.

O perdão é escolher não permitir que o outro continue a atingir-nos através da lembrança. É um processo de reconstrução interior. Perdoar é deixar-nos moldar pelo que nos magoou, mas sem permitir que isso nos fira outra vez.

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Ilustração de Flávio Wetten@Lifeonadraw

 

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