Percebi...
Percebi, recentemente, que bons pais podem criar “maus filhos”.
Se por “maus filhos” entendermos aqueles que se fecham em si mesmos, egocêntricos, egoístas; filhos que não cuidam, não protegem, não sentem empatia; filhos que não dão colo, não mimam, não comunicam. Filhos que se limitam a esperar, passivos, que sejam sempre os pais a iniciar tudo.
Filhos que não ajudam, que não acolhem as fragilidades dos pais, que não trazem amor, nem alegria, nem união.
O mais triste é que muitos desses filhos se imaginam bons.
Porque pensam que só por existir já é suficiente.
E, mais ainda, podem ser boas pessoas — mas, sim, pode-se ser boa pessoa, boa mãe, bom pai… e ainda assim, mau filho.
E pode-se começar sendo bom filho e, devagarinho, ir-se tornando mau.
Percebi também que os pais raramente pensam que a primeira “obrigação” de um filho deveria ser, “ser bom filho”.
Estamos tão focados nos resultados, nos feitos, que esquecemos o essencial: exigir-lhes que sejam, antes de tudo, filhos de verdade.
Bons filhos não são obedientes ou submissos; não são aqueles que tentam satisfazer todas as vontades dos pais.
Bons filhos dizem sim como dizem não. Com verdade, com cuidado, com delicadeza. Com palavras claras, com gestos que nunca falham.
E todos sabemos: quanto mais eles forem bons filhos, melhores pais seremos. (E o contrário também é verdade.)
O trágico é que, à medida que toleramos feridas, vamos desistindo deles de forma silenciosa.
Sentimo-nos, aos poucos, com menos direito de ser seus pais.
E eles, aos poucos, deixam de merecer o nosso respeito, a nossa admiração, a nossa gratidão.
E assim, sem perceber, vamo-nos perdendo uns aos outros.
É urgente...
sermos bons pais e bons filhos, para que o amor se torne mais fácil,
para que a vida se torne mais leve, para que a casa, finalmente, seja lar!










