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Ele há dias...

... em que me apetece dizer disparates e escrever o que me vem à cabeça, sem me preocupar em ser politicamente correcta. Este espaço vai servir para isso (pelo menos não gasto papel!).

Ele há dias...

... em que me apetece dizer disparates e escrever o que me vem à cabeça, sem me preocupar em ser politicamente correcta. Este espaço vai servir para isso (pelo menos não gasto papel!).

29
Ago24

As amizades na vida de adulto

Mäyjo

Daqui por alguns dias completo mais uma volta ao sol. Nunca gostei muito de fazer anos, pois sinto-me desconcertada com a atenção que nos é concedida nesse dia. Faço parte do grupo daqueles que não percebem porque se há de celebrar por se envelhecer mais um ano.

Não sei bem porquê, mas ando com vontade de fazer alguma coisa. Não costumo celebrar o meu aniversário, o máximo que faço é almoçar, ou jantar, fora com os de casa. Afinal, fazer anos durante o Verão nunca foi muito compatível com festas de anos, quando toda a gente está de férias.

Esta vontade acabou por me trazer à memória algumas pessoas com quem fui perdendo o contacto com o passar do tempo e que antigamente estariam presentes, o que me levou a pensar nesta coisa das amizades quando somos adultos.

Nunca tive muitos amigos, mas consigo pensar em pelo menos duas ou três pessoas que a dada altura me eram muito próximas, e especiais, e que, atualmente, já não fazem mais parte da minha vida. Nuns casos a amizade acabou, noutros foi o típico afastamento natural, em que se foram mantendo apenas conversas superficiais, muito de vez em quando, mas nada mais do que isso. No fundo essas pessoas já não estão na minha vida.

Tranquiliza-me pensar que da mesma forma que algumas pessoas vão, outras vêm. Atualmente há algumas (poucas) pessoas (principalmente no emprego) com quem me dou bem. Não posso dizer que sejam pessoas próximas, mas são pessoas com quem tenho partilhado alguns momentos da vida.

Com o avançar do tempo e a experiência de vida, parece-me que o balanço será negativo, pois acho que há mais pessoas que se vão, sem necessariamente surgirem outras para “ocupar o lugar deixado vago”. Quanto mais “crescemos” mais apreciamos as pessoas que escolhemos ter na nossa vida. Hoje ao olhar para trás tenho saudades de algumas pessoas que "se foram"... E ao mesmo tempo tenho algum receio de que aconteça o mesmo com as amizades atuais. Quando olhamos a lista de amigos, nunca sabemos quanto tempo essas pessoas vão ficar, quanto tempo durará essa amizade. Quando achamos que aquela amizade é para a vida, será que é? Será que se mantém com a mesma dinâmica? Ou irá transformar-se num outro tipo de relação? O que sabemos nós da vida e do rumo que ela vai tomar?

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06
Fev24

Ponto final

Mäyjo

Tenho vivido os últimos tempos enleada no que acabou por se revelar um vínculo tóxico que me deu muitas lições e me ensinou que tudo tem um ponto final. Depois de inúmeras conversas, desabafos, percebi que dali eu só colhia tristeza, vazio e angústia.

Há pessoas com quem me importo (e muito) e quando isso acontece não tenho limites para os meus cuidados para com elas. Não gosto de me sentir usada, nem me agrada perceber que não passo de uma “obrigação”.  Juntando a falta de empatia e de conexão que acabaram por se instalar, vi-me numa encruzilhada e acabei por perceber que teria que “me escolher” e deixar ir a outra parte. 

E deixei ir. Não sei quem deixei ir, já não reconheço, não me identifico, mas admito que me machucou bastante. Sinto que deixei uma mochila que carregava há muito tempo e senti-me leve, desprendida, livre… embora triste.

Abri mão, não me importa mais. E escolhi-me a mim.

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Se me vou afastar aos poucos? Vou. É que o meu lado emocional é de porcelana e tenho que tratar bem dele!

 

16
Abr23

Quem?! Eu?!

Mäyjo

Menina, algarvia de coração, muito bem casada, vivendo os “novos trinta anos”, formada em Geografia e depois certificada em “Trapologia & Co.”, adora decoração, jardinagem e fazer aquilo que gostaria de chamar de arte. Pensa nas rugas que já estão prestes a aparecer e intitula-se dona de casa noturna depois de trabalhar de dia. Não troca os seus livros por nada e acha que a verdadeira terapia é crochetar.

Eu sou o tipo de pessoa que adora encontrar aquela coisa que realmente queria, mas se recusou a pagar o preço total para. Sou daquelas que acreditam que conduzir sem destino, de preferência com as janelas para baixo e ao som da canção favorita é a cura perfeita para qualquer mau humor. Faço parte do grupo de seres cujo dia ideal é passado na praia a ouvir o som do mar, longe do barulho da multidão...

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23
Mar23

Este é o meu eu...

Mäyjo

A forma com que se abre o presente determina se poderá ser embrulhado, novamente, ou não...

O presente podes ser tu ou poderás ficar comigo para sempre...

Apaixono-me e entrego-me ou poderás nem chegar a saber que um dia o meu amor foi teu...

Não me agrada a ideia de gostar muito de alguém, mas adoro aqueles que me fazem perder o chão...

Aflige-me a circunstância de saber que um dia vou perder essas pessoas... que não vou voltar a vê-las novamente...

Assusta-me alguém imprevisível, mas adoro ser surpreendida...

Adoro os meus amigos: sou muito amiga ou a pior inimiga... posso ser mel ou fel, água ou vinho, tudo depende do outro lado...

Tenho medo dos sentimentos fortes, das falsidades e da solidão.

Divirto-me muito e tento não me irritar com pouco...

Devia observar mais, falo muito ou falo pouco... Insisto quando quero saber alguma coisa...

Gosto de saber o que os outros pensam, fico feliz com a felicidade alheia. Gosto de azul, de branco, de verde e dos tons da terra...

Não gosto da ausência de luz...

Odeio esperar...

Não tenho medo de problemas, adoro encontrar soluções... Sempre há maneira para tudo...

Eu não gosto da ideia de envelhecer, porém apaixona-me a ideia de vir a ser uma velha realizada...

Este é o meu eu, muito prazer...

Este é o meu eu.jpg

 

20
Mai11

Confiança

Mäyjo

Não tenho tempo para não ter confiança em mim mesma.

Isso acaba por ser um obstáculo na vida. A hesitação rouba-nos a oportunidade. Se hesitar em fazer algo por medo ou vergonha, posso estar a perder uma oportunidade única e preciosa.

17
Nov09

A minha praia

Mäyjo

Tal como acontece com certas pessoas, também há lugares que não têm sorte. É esse o caso da Altura. Até aos anos 80 (sei eu que a frequento desde a adolescência) ir a banhos naquele local era um privilégio de algumas dezenas de famílias.

As dunas enormes que orlavam os quilómetros de areal que vai da Ponta de Santo António até perder de vista para os lados de Faro, faziam daquele lugar um autêntico paraíso na Terra. As condições excepcionais daquela zona, com aquele fabuloso areal e a mata acompanhando toda a costa foram sendo progressivamente pressionados.
Por qualquer “desígnio misterioso”, aquela que deveria ser a pérola de um concelho essencialmente rural foi abandonada aos patos bravos deixando que ali se instalasse, quanto a mim, um caos urbanístico – porque o povo também tem direito a uma casa de férias!
Tal como uma mulher desprezada, a Altura degradou-se. Perdeu a beleza natural e tornou-se parola. Mas foi uma das minhas primeiras praias e a ela voltei todos os verões da minha vida. Sinto-a, pois,  como território meu, como a tia desdentada que embaraça a família mas é do meu sangue. E como não é uma pessoa mas um lugar, tem defesas que eu sempre soube aproveitar. Marcas territoriais, traços fisionómicos em que me concentro para vê-la como quero, defendendo-me do que não quero ver.
Mesmo no pino do Verão, com as praias pejadas de veraneantes chinelantes, de barriga de cerveja e anel no mindinho, eu tenho os meus refúgios, que são partilhados por quem, como eu, conhece os segredos da Altura.
Havia um barzinho onde passava as minhas noites de adolescência. Feito de madeira rangente, com uma esplanada ampla rasgada para o acesso à praia; era frágil, despretensioso e risonho como um bar de praia deve ser. Nele juntavam mesas os habitués, formando animados grupos. Estava ao abandono, quase em ruínas.
Na praia onde eu aprendi a nadar e tive os meus primeiros flirts de Verão; onde o meu filho viu o mar pela primeira vez, tudo está a mudar e a perder as características de que eu sempre gostei!
Dir-se-ia que a minha praia estava a deixar de o ser…
Mas eis que aparece alguém com um plano, plano esse que parece ter sido concebido por quem adora praia e adora a Altura. A esplanada e o barzinho em ruínas ganharam vida. Foram reconstruídos e tiveram direito a vida nova!
O velhinho Tropical, do tempo do Michel, é hoje um espaço limpo e arejado, despretensioso, com uma alma e uma vida nova – um beach laundg: o Tropical (na mesma)!
Uma esplanada agradável com um look moderno, mas sem esquecer o lugar, inspirado no norte de África – ali tão perto. Um local onde se pode conversar, ouvir música, estar com os amigos, relaxar, tal como “no meu tempo”. Um local sem gajos grávidos de cerveja e anel no mindinho, nem famílias numerosas cheias de putos a chiar e a correr por todo lado. Um local onde duas gerações se juntaram (minha e a do meu filho) fazendo com que aquele continue a ser a nossa praia!
Parece que afinal a minha Altura consegue renascer das cinzas, qual Fénix!
16
Nov09

Dias úteis

Mäyjo

Manhãs.

O cheiro a terra molhada.
Cantar no carro.
Praia, sempre.
O gozo de ir.
O prazer de estar.
Ler e pensar: é isto mesmo.
O que não se diz e o que tem de ser dito.
Verão. Lugares.
Amigos, todos.
O amor. Chuva na janela. Chocolate. Sexo.
Água fresca.
Dever cumprido.
Olhares que decidem.
Todos os dias trazem qualquer coisa...
 
 
15
Ago09

10 coisas (prazeres) totalmente grátis que eu mais gosto.

Mäyjo

 

1.       Abraçar o meu filho;
2.       Olhar mar: calmo ou revolto;
3.       Um passeio à beira-mar (sozinha);
4.       Ouvir o silêncio;
5.       Olhar para o céu, principalmente à noite, cheio de estrelas;
6.       Um dia de chuva e poder ficar em casa, a molengar;
7.       Uma tarde passada a ler;
8.       Uma cama com um edredon quentinho em pleno Inverno;
9.       Um "Gosto muito de ti!";
10.    Brincar com o meu cão.
 
 

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