Há quem diga que o tempo cura tudo...
Há quem diga que o tempo cura tudo, mas não é verdade. O tempo não tem o poder de curar, ele apenas nos distancia dos acontecimentos que nos marcaram, mas não apaga as marcas que eles tatuaram na nossa alma. A ferida tranforma-se em cicatriz apenas quando se deixa de ser prisioneiro de um passado que não podemos mudar. É nesta altura que entra o perdão; não como uma dádiva para quem nos magoou, mas sim como um ato de libertação para nós própios. O perdão surge quando decidimos que essa dor, raiva, rancor, não nos vai definir mais, pois enquanto carregarmos a mágoa, o ressentimento continua a prender-nos àquela situação, àquela pessoa, àquela dor.
Perdoar é claro que não é esquecer o que aconteceu: é olhar para o que aconteceu com um nível mais elevado, é perceber que seguir em frente é mais importante do que ter razão, que a nossa cura é mais urgente do que a espera por um arrependimento que talvez nunca venha. O perdoar é escolher não deixar o outro continuar a magoar-nos através da lembrança. O perdão é feito através de uma reconstrução interior. O perdão nasce quando permitimos que a dor nos transforme, mas já não nos fira.

