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Ele há dias...

... em que me apetece dizer disparates e escrever o que me vem à cabeça, sem me preocupar em ser politicamente correcta. Este espaço vai servir para isso (pelo menos não gasto papel!).

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11
Jan26

Casa dos Avós

Mäyjo

 

A casa dos avós pode ter muitas versões, conforme as nossas vivências: casa da avó, casa do avô, ou casa dos avós, quando ambos tiveram o mesmo significado para nós. Quando penso em “casa de avós”, penso num refúgio onde o tempo abranda, onde o amor se espalha em cada canto, em cada gesto. Mas, para mim, nunca tive exatamente esse “ninho”.

Na casa da minha avó paterna, as memórias são fragmentos: havia sacos com rebuçados e guloseimas e um pouco de tudo, numa loja cheia de peças de pano onde as mulheres iam comprar… Na parte da taberna, os homens a beber… E eu recordo-me de gostar de varrer o chão, e de ela me dizer que, à noite, não se varria o lixo para a rua, pois “deitava-se fora a fortuna”.

Na casa da minha avó materna fui mais feliz, mas também existiam “fantasmas”. Havia um espaço escuro, no fundo da casa, que sempre me provocou medo. O corredor longo parecia guardar monstros imaginários, e a escada para o sótão também me arrepiava, embora adorasse subir e imaginar tudo o que aquele espaço despertava em mim.

Mais tarde, porém, houve uma casa que se aproximava mais do meu imaginário: a casa dos teus avós, G. Acho que sempre a vimos como uma escapatória, um desvio seguro nas estradas da vida. Quando o mundo parecia pesado, ali encontravas consolo; quando algo em casa te desagradava, era o colo que te acolhia, o espaço onde o amor dos avós se sentia infinito, disponível, completo.

Mais tarde, houve outra “Casa de avós” – a casa de Altura – que foi um refúgio, e mais próxima da ideia que guardo no coração. É um lugar onde entro e me sinto verdadeiramente em casa – é o meu paraíso!

A “casa” com que ainda hoje sonho, já sem ter avós, é um lugar onde o amor jorra sem medida, cheia de alegria e gargalhadas, onde há sempre um doce à espera, uma brincadeira pronta, uma mão estendida, alguém disposto a ouvir, onde nos fazem sentir seguros, protegidos, num ninho de afeto e carinho.

Essa é a casa que existe no meu imaginário. Um lugar de paz e calor, de atenção e ternura, onde cada gesto pequeno é um gesto de amor. Talvez seja só sonho, talvez seja memória, mas é a casa que eu sempre quis encontrar — e que guardo viva dentro de mim. E, um dia, espero poder ser essa casa para alguém: um refúgio de amor e cuidado, onde se sinta seguro e acolhido, e onde permaneça, mesmo que apenas na memória, por todo o sempre.

Duncan Chisholm.jpg

 

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