Colecionadores de memórias...

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O pensamento, a imaginação e a faculdade de ter memória que aos humanos é concedida, traem a vontade de esquecer…

Diz-se que os "macaquinhos" de uma criança (e não só), são guardados no sótão, mas afinal ao que parece são transportados na cabeça.
Mas neste local, normalmente, há objetos “esquisitos” carregados de histórias. Lembro-me do sótão da casa da minha avó materna... Era um espaço escuro de que eu, quando era pequena, tinha medo... com arcas, cheias de memórias, em que raramente me deixavam mexer... Talvez por que ela tivesse medo que eu desordenasse essas memórias e dessa forma elas deixassem de existir...
Na verdade, foi apenas após a sua morte que eu, realmente, “visitei” aquele espaço; que eu, já sem a ajuda dela, “desarrumei” essa parte das minhas origens. E afinal existia – nestes locais, existe sempre! - uma arrumação. Primorosamente... desarrumada. Eram imensas caixas que guardavam tantas coisas (seguramente, preciosas, pelo menos para ela). Devia ser obrigatório existir em todas as casas um sítio assim... Fechado à chave. Um espaço onde o passado se guarda para o futuro de modo a perpetuar as memórias de uma família e o seu “ADN”. E isso é, mesmo, muito bom.

Os momentos em família devem ser, sempre, momentos de comunhão, conversas cruzadas, gargalhadas; oportunidades para contar histórias, para falar disto e daquilo...
A família é sempre o porto seguro. É bom podermos estar com aqueles que nos acompanham e que nos ajudam sempre que é preciso.
Um dos valores mais importante é a família. Estar junto, nem que seja por apenas alguns instantes, mas estar lá, de corpo inteiro, com a alma. Partilhar sentimentos, criar memórias, viver com quem é importante para nós, é mesmo muito importante!


Acho que não estou sozinha quando me interrogo se o que faço afeta alguém, marca alguém (pela positiva, claro) ou deixa uma memória... Porque acredito que a vida mais não é do que uma luta pela memória.
Quando eu partir, quem se lembrará de mim e como?
Na minha profissão, no meio de tanta indiferença de tantos e tantos alunos, por vezes tenho a sensação de que passei por aqui, sem que o meu “barco” tenha alguma vez feito uma ondita, que seja, no mar.


PS- Encontardo no baú das memórias que o FB nos mosta de vez em quando... Publicado pela primeira vez há 5 anos!
Se o meu pai fosse vivo faria hoje 82 anos...
Cada um de nós, quando tem um filho, transporta o passado até ao presente e perpetua-o no futuro. Eu há 27 anos eternizei os meus antepassados e dei mais um passo no caminho da imortalidade, pois acho que através de um filho nos tornamos imortais!
Por exemplo, os avós não morrem! ... porque ficam gravados nas nossas emoções de um modo mais perfeito e profundo do que a simples genética. Eles nos ensinaram a ir um pouco mais devagar e ao ritmo deles, a desfrutar uma tarde no campo, a descobrir que os bons livros têm um cheiro especial e que existe uma linguagem que vai muito mais além das palavras! É a linguagem de um abraço, de um carinho, de um sorriso cúmplice... e de um passeio partilhando silêncios enquanto simplesmente se usufrui da companhia do outro, enquanto se olha o horizonte. Tudo isso perdurará para sempre, e é aí onde acontece a verdadeira eternidade das pessoas.
Nós apenas morremos quando a última pessoa viva se esquece de nós.
Mais do que apenas ser feliz quero fazer os outros felizes. Quando morrer quero sentir que deixei a minha marca e que fiz a diferença para alguém!
Gosto de sentir que posso continuar a viver através dos outros que cá vão continuar...
A minha pegada digital irá contribuir um pouco para essa imortalidade e um dia, mais tarde, os meus descendentes (netos e bisnetos) poderão pesquisar e ficar saber um pouco mais sobre mim.

Neste meu blogue convivem alegremente e sem restrições escritos, imagens, livros, viagens, a família, a minha infância, a minha cadela, o mar, a luz do entardecer, as minhas angústias, alegrias e sonhos.

Por assim dizer... nele habitam todas as histórias que me fizeram e continuam a fazer, todos os dias, qualquer que seja a denominação ou forma que tenham. Porque sou o resultado de todas as minhas histórias. Sou o resultado de todas essas histórias. E é aqui que quero continuar a guardar essas memórias, para que mais tarde (quando já não me lembrar delas) as possa vir a contar (ou tão somente mostrar) aos meus netos, com o nome: “Filha de mil histórias”.
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