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Ele há dias...

... em que me apetece dizer disparates e escrever o que me vem à cabeça, sem me preocupar em ser politicamente correcta. Este espaço vai servir para isso (pelo menos não gasto papel!).

Ele há dias...

... em que me apetece dizer disparates e escrever o que me vem à cabeça, sem me preocupar em ser politicamente correcta. Este espaço vai servir para isso (pelo menos não gasto papel!).

31
Dez25

No limiar do derradeiro duodécimo...

Mäyjo

 

No limiar do derradeiro duodécimo — da última volta, da última parcela deste conjunto de doze, todas distintas — alimenta-se a esperança de que a próxima venha inteira, feliz e próspera. Regressa, então, a sensação de que a vida se vive em prestações.

Dentro de poucas horas, renovamos o bilhete das doze cautelas, com a fé inabalável de que o que se anuncia trará sempre mais luz do que aquilo que ficou para trás.

E tudo roda, roda… num eterno vai-e-vem!

Mondim de Basto.jpg

30
Dez25

2025: um ano de ciclos e transformações

Mäyjo

 

2025 foi um ano de fim de ciclo e de mudanças.
Algumas foram suaves, outras profundamente desafiadoras.

As mais difíceis chegam quando precisamos decidir e desapegar.
Quando criamos vínculos, quando gostamos de verdade, sabemos que o fim pode chegar — e isso não o torna menos doloroso.

Dói perceber que lugares onde nos sentíamos em casa já não existem.
Dói mudar de pele, transformar-se numa nova versão.
Dói perder amigos porque os caminhos mudam, porque os gostos mudam e as pessoas também.
Dói até deixar relacionamentos tóxicos, apesar da familiaridade e do hábito.
Dói ver ex-alunos seguirem o seu caminho, porque aquele ciclo chegou ao fim — com sucesso.

Mas há algo essencial nesta dor: ela não nasce do vazio. Nasce do amor.

Amar também é libertar.
E libertar, muitas vezes, é despedir-se.
É dizer adeus ao que foi, com gratidão pelo que existiu.

Finalizar ciclos exige coragem.
Exige presença, maturidade emocional e respeito pelo tempo de cada experiência.
Não é desistir — é honrar.

E talvez seja isso que mais doa: aceitar que algo foi bonito justamente porque teve um fim.
Ou porque precisamos avançar para algo maior.

Ao olhar para trás, podemos reconhecer cada perda, cada adeus e cada transformação como parte de um percurso que nos torna mais inteiros.

Ao olhar para frente, descobrimos que cada fim é, na verdade, uma oportunidade de recomeço.
Um recomeço com o coração mais leve e a vida mais aberta para o que ainda está por vir.

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29
Dez25

Vida com Lloyd

Mäyjo

 

“Lloyd, o que aconteceu com o Natal?”
“Acredito que esteja algures, no meio das coisas a fazer, senhor.”
“Talvez eu devesse tirar algumas obrigações, assim poderia encontrá-lo novamente.”
“Ou talvez devesse deixar de mantê-lo entre os compromissos e colocá-lo onde não possa mais perdê-lo, senhor.”
“E qual seria esse lugar seguro, Lloyd?”
“Perto daquilo que lhe é mais precioso, senhor.”
“A vida, Lloyd?”
“Quem a torna melhor, senhor."

* * Simone Tempia * *

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28
Dez25

Percebi...

Mäyjo

Percebi, recentemente, que bons pais podem criar “maus filhos”.
Se por “maus filhos” entendermos aqueles que se fecham em si mesmos, egocêntricos, egoístas; filhos que não cuidam, não protegem, não sentem empatia; filhos que não dão colo, não mimam, não comunicam. Filhos que se limitam a esperar, passivos, que sejam sempre os pais a iniciar tudo.
Filhos que não ajudam, que não acolhem as fragilidades dos pais, que não trazem amor, nem alegria, nem união.

O mais triste é que muitos desses filhos se imaginam bons.
Porque pensam que só por existir já é suficiente.
E, mais ainda, podem ser boas pessoas — mas, sim, pode-se ser boa pessoa, boa mãe, bom pai… e ainda assim, mau filho.
E pode-se começar sendo bom filho e, devagarinho, ir-se tornando mau.

Percebi também que os pais raramente pensam que a primeira “obrigação” de um filho deveria ser, “ser bom filho”.
Estamos tão focados nos resultados, nos feitos, que esquecemos o essencial: exigir-lhes que sejam, antes de tudo, filhos de verdade.

Bons filhos não são obedientes ou submissos; não são aqueles que tentam satisfazer todas as vontades dos pais.
Bons filhos dizem sim como dizem não. Com verdade, com cuidado, com delicadeza. Com palavras claras, com gestos que nunca falham.
E todos sabemos: quanto mais eles forem bons filhos, melhores pais seremos. (E o contrário também é verdade.)

O trágico é que, à medida que toleramos feridas, vamos desistindo deles de forma silenciosa.
Sentimo-nos, aos poucos, com menos direito de ser seus pais.
E eles, aos poucos, deixam de merecer o nosso respeito, a nossa admiração, a nossa gratidão.
E assim, sem perceber, vamo-nos perdendo uns aos outros.

É urgente...
sermos bons pais e bons filhos, para que o amor se torne mais fácil,
para que a vida se torne mais leve, para que a casa, finalmente, seja lar!

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27
Dez25

Encerrar o ano: aceitar, soltar e seguir com leveza

Mäyjo

As datas festivas trazem consigo emoções intensas. Misturam alegrias e tristezas, encontros e ausências. São dias que nos confrontam com o que vivemos: as conquistas alcançadas, as perdas que enfrentámos, os desafios que nos transformaram e as lições que ainda estamos a integrar.

Neste momento de transição, reflito sobre o processo de encerrar o ano. Procuro fazê-lo de forma mais consciente, com intenção e aceitação, para receber o que aí vem com um coração mais leve e aberto.

Todos nós, em algum momento, enfrentamos perdas — de trabalho, de etapas da vida, de pessoas que amamos. A nossa mente, porém, tende a rejeitar o que dói, a lutar contra o que não quer sentir. Passamos a vida à procura de soluções rápidas para apagar a dor, tentando voltar atrás ou avançar o mais depressa possível.

Como nos recorda Thich Nhat Hanh: “Não é a impermanência que nos faz sofrer. O que nos faz sofrer é querer que as coisas sejam permanentes quando não o são.”

A vida é um fluir contínuo, uma mudança constante, e o que mais magoa é não podermos controlá-la. A perda é a manifestação mais clara disso. Mas a verdadeira paz chega quando aprendemos a aceitar; quando finalmente compreendemos que aquilo que acontece não está sob o nosso controlo e percebemos que apenas podemos controlar a forma como vivemos esses acontecimentos.

Mas qual é o significado de “aceitar”?

Dizer “aceito” é fácil quando tudo corre bem. A verdadeira aceitação revela-se nos momentos difíceis. Perante a dor, o impulso mais comum é evitá-la: tentar mudar a situação, sair dela rapidamente, fazer tudo para não sentir o desconforto.

Raramente paramos para nos “sentar com aquilo que nos acontece”. Em silêncio, respiramos pouco e fugimos do que dói. No entanto, há momentos em que tudo o que é pedido é presença: ficar, sentir, abraçar o que está a acontecer. Aceitar não é concordar nem ficar feliz com a dor; é permitir que o coração abrande e encontre alguma tranquilidade, mesmo no meio dela.

Quando deixei de lutar contra o que sentia, algo em mim suavizou. A tristeza não desapareceu de imediato, mas deixou de ser uma ameaça. Tornou-se apenas uma presença — pesada, sim, mas honesta. Ao dar-lhe espaço, percebi que não precisava de ser combatida, apenas reconhecida.

Ficar com o que sentia ensinou-me que a dor perde força quando é acolhida. Não porque se resolva, mas porque deixa de estar sozinha. Há um descanso silencioso que nasce quando paramos de exigir de nós mesmos uma versão mais forte, mais positiva, mais “capaz”. Esse é o ponto-chave da aceitação: quando deixamos de querer que as coisas sejam diferentes do que são e nos permitimos viver o que está a acontecer, sem resistência, encontramos a paz.

Soltar é um ato silencioso de coragem. Não acontece de forma imediata nem linear. Às vezes, solta-se aos poucos — com recaídas, com saudade, com dúvidas. E, ainda assim, cada pequeno gesto de desapego é um passo em direção à leveza.

Neste fim de ciclo, talvez o mais importante não seja fazer grandes resoluções, mas escutar com honestidade: o que pesa em mim? o que continuo a carregar por hábito, medo ou culpa? Criar espaço dentro de nós é permitir que o novo chegue sem ter de lutar por lugar.

Há vínculos que custam soltar porque foram verdadeiros. E é precisamente por isso que merecem gratidão. Nada do que nos tocou profundamente foi em vão. Cada encontro, cada escolha ensinou-nos algo sobre quem somos e sobre o que já não faz sentido manter.

Encerrar um ciclo é um gesto de maturidade emocional. É reconhecer o valor do que foi, sem ficar preso a ele. É confiar que honrar o passado não nos impede de caminhar em frente — pelo contrário, dá-nos raízes mais firmes para avançar.

Hoje percebo que posso entrar no novo ano com o coração mais leve e em paz, sabendo que soltar não é desistir — é escolher-me.

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26
Dez25

Com o passar dos anos...

Mäyjo

Com o passar dos anos, queremos menos drama na vida.
Aprendemos a guardar os nossos problemas para nós, porque sabemos que a maioria deles é temporária.

Com o tempo, aprendemos a tolerar a tempestade sem criar mais drama.
Conservamos as preocupações próximas ao peito, confiantes de que também elas vão passar.

A nossa fé foi testada ao longo do tempo, e a nossa resiliência deu-nos as ferramentas para encarar quase qualquer situação. Sentimos uma força interior ao perceber que vamos vencer as dificuldades.

Concentrar-nos nas graças que recebemos, pois ninguém está livre de problemas.
Agora sabemos que o tempo é precioso demais para desperdiçá-lo com pequenas preocupações.
E encontramos alegria em apreciar tudo de bom que a vida nos oferece.

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24
Dez25

Pensamentos & Palavras ● ●

Mäyjo

Natal - aquele cobertor mágico que nos envolve, algo tão intangível como um perfume. Pode lançar um feitiço de saudade. O Natal pode ser um dia de celebração, ou oração, mas será sempre um dia de memória - um dia de pensar em tudo o que amamos.

* * Augusta E. Rundel * *

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