Quando eu morrer,
tentarei voltar a ti
o mais depressa possível.
Prometo-te que não levará muito tempo.
Não é verdade
que eu já estou contigo
em cada instante?
Eu retorno a ti
a cada momento.
Basta olhar,
sentir a minha presença.
Se quiseres chorar,
por favor, chora.
E eu chorarei contigo.
As lágrimas que derramares
curar-nos-ão a ambos.
As tuas lágrimas são minhas.
A terra que piso esta manhã
transcende a história.
A primavera e o inverno
estão presentes neste instante.
A folha jovem e a folha caída
são, na verdade, uma só.
Os meus pés tocam a não-morte
e os meus pés são teus.
Caminha comigo agora.
Entremos na dimensão da unidade
e vejamos a cerejeira florir no inverno.
Por que falar da morte?
Eu não preciso morrer
para estar novamente contigo.
Thích Nhất Hạnh
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